Reserva Ovariana e Endometriose: Impacto na Decisão de Tratamento para Engravidar

Entenda como a avaliação da sua reserva de óvulos é uma peça-chave para definir os próximos passos no tratamento da endometriose quando o objetivo é a gravidez.

O que é reserva ovariana e como a endometriose a afeta?

A reserva ovariana é a quantidade de óvulos que uma mulher possui em seus ovários em um determinado momento da vida. Toda mulher nasce com um número finito de folículos, as pequenas bolsas que guardam os óvulos imaturos. Essa reserva diminui naturalmente com o passar do tempo.

A endometriose, uma doença inflamatória crônica que atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, pode acelerar essa perda e comprometer a fertilidade. O ovário funciona como um jardim com um número limitado de sementes valiosas. A presença de um cisto de endometriose, chamado endometrioma, age como uma erva daninha agressiva, que não apenas ocupa espaço, mas também libera substâncias tóxicas no solo, prejudicando o desenvolvimento das sementes restantes e levando a um esgotamento precoce.

Estudos mostram que o ambiente ao redor do endometrioma é rico em ferro livre e mediadores inflamatórios, criando um estresse oxidativo que danifica os folículos e pode levar a um verdadeiro “burn-out” ovariano, diminuindo a quantidade de óvulos disponíveis.

O papel central da reserva ovariana na escolha do tratamento

A avaliação da reserva ovariana, geralmente feita por exames de sangue (como a dosagem do hormônio antimülleriano – AMH) e ultrassonografia, é fundamental para traçar a melhor estratégia para engravidar. A decisão entre realizar uma cirurgia ou partir diretamente para a fertilização in vitro (FIV) depende muito desse resultado.

A cirurgia para remover um endometrioma, por exemplo, é um dilema complexo. Embora possa aliviar a dor, o procedimento em si apresenta um risco significativo de remover tecido ovariano saudável junto com o cisto. É como tentar arrancar uma erva daninha com raízes profundas: mesmo com o máximo cuidado, é quase inevitável não levar junto um pouco de terra fértil. Essa perda de tecido pode reduzir ainda mais uma reserva que já estava comprometida.

Por outro lado, a FIV surge como uma alternativa altamente eficaz, pois contorna muitos dos obstáculos impostos pela endometriose, como o ambiente inflamatório pélvico e possíveis obstruções nas trompas. Estudos recentes mostram que, em ciclos de FIV, os óvulos de mulheres com endometriose têm um potencial de formar embriões saudáveis semelhante ao de mulheres sem a doença. Para mulheres jovens com endometriomas grandes ou em ambos os ovários, a preservação da fertilidade através do congelamento de óvulos antes de qualquer intervenção cirúrgica é uma recomendação cada vez mais forte.

Individualizando a decisão: Fatores além do número de óvulos

A reserva ovariana é um guia poderoso, mas não é o único fator na equação. A decisão sobre o tratamento ideal para a endometriose com foco em fertilidade deve ser altamente personalizada, considerando um cenário mais amplo. O planejamento da jornada reprodutiva é como traçar a rota de uma viagem longa. A reserva ovariana é o seu medidor de combustível, uma informação crucial. No entanto, o melhor caminho também depende da idade da motorista, das condições gerais do veículo (a presença de sintomas de dor) e de outros obstáculos na estrada (a coexistência com outras doenças, como a adenomiose).

A idade da mulher é um dos preditores mais importantes de sucesso. Além disso, a intensidade dos sintomas de dor, como a dor na relação sexual (dispareunia), impacta diretamente a qualidade de vida e precisa ser considerada. Classificações anatômicas que apenas medem o tamanho e a localização das lesões são indicadores pouco confiáveis para prever as chances de gravidez. Ferramentas mais funcionais, como o Índice de Fertilidade da Endometriose (EFI), que avalia o estado das trompas e outros fatores após a cirurgia, são mais úteis.

A investigação de adenomiose, presente em até 70% dos casos, também é essencial, pois ela pode ser a verdadeira causa de falhas de implantação. Portanto, a decisão final é um processo compartilhado entre a paciente e a equipe médica, equilibrando o desejo de engravidar, o manejo da dor e a preservação da saúde reprodutiva a longo prazo.

Referências Bibliográficas

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Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.

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Dr. Luiz SabainiGinecologia e Obstetrícia | CRM 222683-SP | RQE 131795Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva
Coordenador de Conteúdo Endoblog

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