Inflamação e nervos explicam a dor diária sentida por mulheres com endometriose.
Sim, é absolutamente comum e frequente que mulheres com endometriose sintam dor fora do período menstrual.
Embora o sintoma inicial mais clássico seja a cólica intensa durante a menstruação (dismenorreia), a doença é definida clinicamente como uma condição inflamatória sistêmica e crônica, o que significa que seus efeitos não se desligam automaticamente quando o sangramento para. Com o tempo, a dor que era apenas cíclica pode evoluir para uma dor pélvica crônica, persistindo durante todo o mês.
Por que a dor persiste além do ciclo? O papel das lesões e dos nervos.
O motivo para isso acontecer reside na complexa interação entre as lesões da endometriose e o sistema nervoso. As lesões, que são tecidos semelhantes ao endométrio crescendo fora do útero, não estão apenas “soltas” na cavidade abdominal; elas desenvolvem seu próprio suprimento de vasos sanguíneos e, crucialmente, criam suas próprias terminações nervosas. Esse processo, chamado de neuroangiogênese, permite que as lesões interajam diretamente com o sistema nervoso central, enviando sinais de dor de forma contínua, independentemente do ciclo hormonal.
Sensibilização central: quando o “volume da dor” fica travado no máximo.
Para explicar de forma didática, imagine que o corpo possui um sistema de alarme para a dor. Na endometriose, esse sistema sofre uma alteração chamada “sensibilização central”. É como se o “botão de volume” da dor no cérebro ficasse travado no máximo. Devido à inflamação constante e aos sinais repetidos enviados pelas lesões ao longo dos anos, o sistema nervoso central se remodela e passa a interpretar estímulos normais ou leves como dolorosos. Isso explica por que, em muitas mulheres, a dor se torna independente da presença ativa da lesão ou do ciclo menstrual, pois o próprio sistema nervoso mantém a sensação dolorosa ativa.
A dor que “migra”: comunicação cruzada entre órgãos pélvicos.
Além disso, existe um fenômeno de comunicação cruzada entre os órgãos. As terminações nervosas que atendem à região pélvica (útero, bexiga e intestino) convergem para os mesmos caminhos na medula espinhal. A inflamação causada pela endometriose pode “confundir” esses nervos, gerando dores na bexiga ou no intestino mesmo que não haja lesões diretas nesses órgãos, contribuindo para um quadro de dor crônica generalizada na pelve.
Portanto, a dor fora do período menstrual ocorre porque a endometriose deixa de ser apenas um problema de “tecido no lugar errado” e se torna uma doença neuroinflamatória. As fibras nervosas, que antes poderiam estar “silenciosas”, tornam-se sensíveis e ativas, perpetuando o sofrimento independentemente da menstruação.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde.
Referências Bibliográficas
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*Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e validado por especialista.
**Imagem meramente ilustrativa produzida por inteligência artificial.

Dr. Luiz Sabaini
Coordenador de Conteúdo Endoblog
Ginecologista CRM/SP 222683 – RQE 131795



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